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Literatura e Sociedade n.22 (2016)

 

A Revista Literatura e Sociedade está disponível online no Portal de Revistas da USP.

Confira o conteúdo completo deste número, acessando nossa página: http://www.revistas.usp.br/ls

 

EDITORIAL

 

O número 22 da revista Literatura & Sociedade, o primeiro de 2016, apresenta um conjunto de oito artigos que permitem entrever a grande variedade de temas e de interesses mobilizados pela crítica literária contemporânea. Partindo de perspectivas analíticas diversificadas, os textos podem ser reeunidos em dois grupos, um dedicado ao estudo da literatura brasileira, o outro, a temas e autores estrangeiros

Em “A criação literária e o devaneio em Caetés”, Suely Corvacho, professora aposentada do Instituto Federal de São Paulo, explora as relações entre literatura e psicanálise e discute a técnica de mise en abyme no romance de Graciliano Ramos, que articula duas narrativas, configurando-se, nas suas palavras, como “um romance moderno construído em torno de dois planos diferentes, um focalizando a tentativa do protagonista [...] escrever uma novela sobre os caetés, e outro explorando seu caso amoroso com a esposa do patrão”.

Alfredo Cesar Barbosa de Melo, professor da Universidade Estadual de Campinas, problematiza o “paradigma da formação da literatura brasileira” e discute a “inserção” da produção literária do país entre as literaturas africanas de língua portuguesa. Adotando a perspectiva dos estudos de literatura comparada, o autor investiga a dinâmica em que “a cultura brasileira se torna fluxo internacional” e debate “as implicações teóricas da presença da cultura e literatura brasileira no mundo”.

Júlio Cezar Bastoni da Silva, da Universidade Federal de São Carlos, analisa a obra tardia de João Antônio, apresentando um deslocamento entre seu programa literário, fundado no quadro de um projeto de formação nacional, e o brutal aggiornamento capitalista no período pós-redemocratização do Brasil. Sua obra, ao trazer à baila a generalização do empobrecimento e da violência, seria então timbrada por “nostalgia e desengano” diante do presente. O balanço que ela propicia expõe uma passagem da pobreza à miséria, sinal de um novo tempo na história brasileira.

Paulo Sérgio Gomes Soares, professor da Universidade Federal do Tocantins, apresenta um estudo sobre Memórias póstumas de Brás Cubas, no qual procura discernir “como o mal se reproduz entre os seres humanos como uma  construção social”. Partindo da oposição entre maldade e perversidade proposta por Patrick Vignoles, o autor discute o problema da escravidão no Brasil e suas imagens  no romance machadiano.

Milton Hernán Betancor, da Universidade de Caxias do Sul, investiga como a literatura latino-americana contemporânea é impregnada pela violência. Com essa finalidade, atento a suas diferenças, analisa três escritores contemporâneos: a argentina Samanta Schweblin, o nicaraguense Ulises Juárez Polanco e o peruano Jeremías Gamboa. Diferentemente da literatura dos anos 1980 em que aparecia a violência institucional das ditaduras latino-americanas, seus escritos trazem as marcas de uma violência “natural”, o que permite ao autor falar em uma “cultura da violência”.

Doutora em Filosofia pela Unicamp e estudiosa da cultura japonesa, Karen Kazue Kawana analisa um conjunto de romances de Dazai Osamu (1909-1948) que tem em comum o fato de serem narrados em primeira pessoa por uma mulher. A pesquisadora reconstitui brevemente a tradição do uso de narradoras protagonistas por escritores do sexo masculino, que remonta ao século X, e investiga como esse recurso foi atualizado por Dazai em diversas narrativas produzidas nos decênios de 30 e 40 do século XX.

Ravel Giordano Paz, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, escreve sobre o romance Breakfast of Champions, de Kurt Vonnegut. Apresenta o modo como os dados da biografia do autor são retomados, adensando sua narrativa, num “jogo com a vida”, em que “autor, personagens, criação ficcional e memórias pessoais” se entretecem.

Luiz Carlos Moreira da Rocha, da Universidade Federal de Viçosa, investiga as relações entre a história literária e a construção da história da nação. Tomando como ponto de partida a importância da língua e da literatura como fatores de constituição de identidades nacionais, o autor delineia um quadro comparativo, colocando lado a lado as experiências inglesa e norte-americana. No caso da Inglaterra, o artigo destaca o papel da língua como fator de identidade nacional; no caso dos EUA, aponta a importância da literatura para a construção da imagem da nação, desde os esforços iniciais dos "Founding Fathers" até a contribuição de escritores do século XIX.

 

Comissão Editorial